Emissões de CO2 pela geração de eletricidade no Brasil superam em 2014 a previsão do governo para o ano de 2030

Em agosto de 2014, as emissões da matriz elétrica brasileira atingiram 157,8 kg CO₂/MWh — superando já a meta prevista para 2030. Entenda por que o Brasil precisa agir agora.

Por Arthur Cursino

fev. 04, 2015

Transição Energética

No último mês de agosto as emissões de CO2 pela geração de eletricidade no Brasil atingiram um recorde histórico, chegando a 157,8 kg de CO2 por MWh produzido. Esse valor, apesar de ainda estar abaixo de outros países com matrizes elétricas mais “sujas”, está muito acima da mídia registrada nos anos de 2006 a 2010, como mostra a figura 1 abaixo.

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Fonte: Elaboração própria a partir dos fatores publicados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (2015)


Apesar de o governo brasileiro colocar a culpa na crise hídrica que atinge principalmente as regiões sul e sudeste, uma vez que uma menor quantidade de água nos reservatórios das hidroelétricas força a uma redução na capacidade de geração, a realidade é que o país está cada vez mais dependente da eletricidade de origem térmica, obtido através da queima de energia, como o gás natural e o óleo combustível.

A carga de energia no país vem crescendo progressivamente, enquanto a energia armazenada máxima nos reservatórios das hidroelétricas se mantém praticamente constante, como mostra a figura 2.

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Fonte: Histórico de Operação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e Empresa de Pesquisa Energética (EPE)



Através da análise da série histórica e perspectivas futuras apresentações na figura 2 é possível observar que a energia armazenável máxima das hidroelétricas nacionais não acompanha o aumento da carga de energia ao longo da última década e não existe previsão de que volte a acompanhar, independente da quantidade de chuvas que o país Receba.

No último Plano Nacional de Energia, publicado pela Empresa de Pesquisa Energética em 2008, o governo prevê uma maior utilização das termoelétricas, tanto que o fator de emissões calculado para a matriz elétrica de 2030 é de 156,0 kg de CO2 por MWh (0,156 toneladas por MWh), no entanto, chama a atenção o fato desse fator, previsto para 2030, já ter sido alcançado em um mês do ano de 2014, o que mostra que o futuro está muito mais próximo do que antes imaginado (figura 3).

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Fonte: Elaboração própria a partir dos fatores publicados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (2015) e do Plano Nacional de Energia 2030 da EPE (2008)



A realidade é que sem um planejamento energético de longo prazo é fundamental para cultivar dois fatores primordiais: (1) a diversificação da matriz de geração, adicionando de forma constante e expressiva outras fontes (como eólica, solar, pequenas centrais hidroelétricas, biomassa) e (2) a promoção da redução da demanda por eletricidade, por meio de programas de eficiência energética multissetoriais. Sem ele, o Brasil será cada vez mais dependente das fontes fósseis, que não apenas apresenta maiores impactos ambientais, mas também apresenta um custo de geração superior.