A demanda por petróleo deve crescer, contrariando o Acordo de Paris

A IEA prevê crescimento do consumo global de petróleo até 2040 — mesmo com o Acordo de Paris. A eficiência energética surge como a resposta mais concreta para mudar esse cenário.

Por Julio Erthal

dez. 06, 2016

Notícias

Uma notícia alarmante chegou essa semana da Agência Internacional de Energia (IEA). Fatih Birol, diretor executivo da IEA, disse que o consumo global de petróleo continuará a crescer até 2040. O fato contrário à proposta do Acordo de Paris, assinada no ano passado.

Birol fez essas observações logo após a publicação do relatório anual World Energy Outlook. O relatório anual da IEA prevê o abastecimento de energia e a demanda para 2040.

O Acordo de Paris espera livrar o mundo dos combustíveis fósseis na segunda metade do século em um esforço para limitar o aumento da temperatura média global para “apenas” 2°C (3,6° F) acima da temperatura em épocas pré-industriais.

Apesar disso, o acordo pode não sobreviver à nova presidência de Trump. O presidente eleito disse que acreditar que o homem é responsável pelas mudanças climáticas é uma “fraude”. Além disso, Trump votou para que os EUA cancelassem a participação no acordo histórico.

O consumo de combustíveis derivados de petróleo pelos automóveis, grandes contribuintes das emissões de gases do efeito estufa, certamente cairá.

Mas, segundo a IEA, essa queda será compensada pelo aumento em outros setores. “A dificuldade em encontrar alternativas para o petróleo no transporte rodoviário de mercadorias, aviação e petroquímicos significa que, até 2040, o crescimento desses três setores é maior que a redução da demanda global de petróleo para outros usos”, completa a IEA.

No cenário central para 2040, estima-se que a demanda global de petróleo crescerá quase 12%, para 103,5 barris por dia (bpd) em 2040, comparado com 92,5 milhões de bpd em 2015. O consumo de petróleo poderia, entretanto, ter seu pico antes de 2040, ou mesmo antes de 2020, se ações mais rigorosas fossem cumpridas, afirma a IEA.


A EFICIÊNCIA ENERGÉTICA É PARTE DA SOLUÇÃO PARA A MATRIZ

Birol disse que a era dos combustíveis fósseis parece estar longe de acabar. “Hoje, 81% da energia global vem de combustíveis fósseis. Em 2040, mesmo se todas as promessas forem implementadas, essa parcela cairá apenas para 74%”, ele diz.

A grande questão dos combustíveis fósseis é a geração de energia, pois boa parte da utilização de petróleo e outros combustíveis é para geração. Então, reduzir o consumo é a melhor forma de diminuir a necessidade do petróleo.

Por meio da eficiência energética, é possível atingir os menores níveis de emissões. De quebra, trata-se ainda de uma excelente medida para economizar na conta de energia.


Fonte: Forbes